Relógios, Joias e Escândalos: A Queda de Jair Bolsonaro

Publicado por: Editor Feed News
05/07/2024 11:41 AM
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Divulgação/Redes Sociais/Captura de Tela
Divulgação/Redes Sociais/Captura de Tela

Ex-presidente enfrenta acusações de lavagem de dinheiro e cooperação criminosa


Folha de S.Paulo: Polícia Federal acusa Bolsonaro de lavagem de dinheiro, cooperação criminosa e roubo de joias

 

Por muito menos, um cidadão comum já estaria preso e destinado a mofar na cadeia. As manchetes da mídia diriam: "Ladrão de joias já está na cadeia". No entanto, como vemos, a lei no Brasil não é igual para todos.

 

A Polícia Federal do Brasil acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro (mandato de janeiro de 2019 a janeiro de 2023) de lavagem de dinheiro, participação em comunidade criminosa e desvio de propriedade estatal. De acordo com a Folha de S.Paulo, Bolsonaro é acusado de desviar joias que recebeu como chefe de Estado, incluindo itens de luxo doados pelo governo da Arábia Saudita.

 

Joias e Presentes de Luxo:
Bolsonaro e outras 11 pessoas estão sendo investigados por conexão com diamantes não declarados, que ele recebeu como presente das autoridades da Arábia Saudita enquanto estava no cargo. Em outubro de 2021, Bento Albuquerque, então assessor do Ministro de Minas e Energia, tentou importar para o Brasil um conjunto de joias composto por brincos, colar, anel e relógio Chopard. Avaliadas em US$ 3 milhões, essas joias foram apreendidas por funcionários da alfândega.

 

Albuquerque afirmou que as joias eram destinadas à esposa de Bolsonaro, Michelle. Posteriormente, um segundo conjunto foi importado para o Brasil, incluindo um relógio, caneta, anel, abotoaduras e terços. Algumas dessas joias foram apreendidas no Aeroporto Internacional de São Paulo em outubro de 2021, quando foram encontradas na mochila de um assessor do governo que retornava de Riad.

 

Venda de Relógios de Luxo:
A investigação também revelou que Mauro Cid, ex-assessor de Bolsonaro, vendeu relógios Rolex e Patek Philippe nos Estados Unidos em junho de 2022, por um total de US$ 68 mil. Esses relógios foram doados pelo governo da Arábia Saudita em 2019. Bolsonaro teria recebido pessoalmente o dinheiro da venda desses itens de luxo.

 

Leis e Regulamentos:
Segundo a legislação brasileira, cidadãos que chegam do exterior devem declarar mercadorias com valor superior a US$ 1.000, e uma taxa de 50% é cobrada sobre valores excedentes. As joias seriam isentas de impostos se tivessem sido um presente da Arábia Saudita ao povo brasileiro, e não a Bolsonaro. Nesse caso, os itens deveriam ser adicionados à coleção presidencial e não à posse pessoal do ex-presidente.

 

Reações e Defesas:
Flavio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente e atual senador, declarou que o processo contra seu pai é “flagrante e vergonhoso”. Além de Jair Bolsonaro, a Polícia Federal acusou outras 10 pessoas, incluindo Mauro Cid e os advogados Frederic Wassef e Fabio Weingarten.

 

Este caso, que envolve figuras políticas de alto escalão e bens de valor substancial, lança luz sobre questões de ética, legalidade e responsabilidade no uso de presentes recebidos por representantes do governo. A repercussão internacional sublinha a importância de transparência e integridade na administração pública, especialmente em um país como o Brasil, onde a confiança no sistema político está em jogo.