“Haverá consequências”. Biden ameaça a Arábia Saudita após corte na produção de petróleo

Publicado por: Editor
12/10/2022 01:31 PM
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O Presidente dos Estados Unidos pondera cortar as relações com a Arábia Saudita e pôr fim a uma aliança com mais de 75 anos.

 

A retirada das tropas americanas ou o fim de venda de armas são medidas estão em cima da mesa.

 

Joe Biden não está nada feliz com a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) de cortar a produção de petróleo, o que na práctica resulta num apoio indirecto à Rússia.

 

Haverá consequências daquilo que fizeram, com a Rússia. Não vou dar detalhes sobre o que estou a considerar e tenho em mente. Mas haverá — haverá consequências”, afirmou o Presidente dos Estados Unidos em entrevista à CNN.

 

Os comentários de Biden assinalam assim o fim do período de lua-de-mel que Washington e Riade viveram nos últimos meses, tendo o chefe de Estado americano até visitado o país em Julho com o intuito de negociar um aumento na produção de petróleo, tendo em vista uma redução nos preços e um alívio na crise energética.

 

Nessa altura, Biden foi bastante criticado por ter quebrado a promessa eleitoral de arrefecer as relações entre os EUA e a Arábia Saudita, tendo repetido durante a campanha que iria fazer uma “pária” do velho aliado devido às violações dos direitos humanos de Riade, especialmente após o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

 

No entanto, os esforços de Biden para tentar conter a escalada de preços da energia de nada valeram, com a OPEP a anunciar na semana passada que ia cortar a produção de petróleo em dois milhões de barris por dia — o maior corte desde o início da pandemia e equivalente a 2% do abastecimento mundial.

 

A Casa Branca já tinha mostrado o seu descontentamento com a decisão da OPEP, tendo a porta-voz Karine Jean-Pierre acusado a organização de se aliar a Putin ao manter propositadamente os preços altos, criando mais pressão sobre as economias ocidentais que boicotaram o petróleo e gás russos.

 

De acordo com vários analistas, o corte da OPEP é uma retaliação contra a criação de tetos máximos nos preços da energia, uma medida que vários países, incluindo Portugal, estão a impor para conter a inflação.

 

Os membros da organização temem que estes limites, que estão agora a ser criados numa tentativa de se diminuir a influência da Rússia no mercado energético, possam vir a ser usados contra si no futuro.

 

O conselheiro de segurança nacional, Jake Sullivan, e o director do Conselho Económico Nacional, Brian Deese, também afirmaram que Biden estava “desiludido” com a “decisão míope da OPEP”.

 

O chefe de Estado também ia falar com o Congresso sobre medidas que poderiam ser adoptadas tendo em vista a redução do poder do grupo sobre o mercado petrolífero, como o fim da isenção de que a OPEP beneficia que lhe permite coordenar os preços e passar por cima das leis anti-cartel do mercado livre.

 

“Reversão dramática” nas relações

Aliados no ramo energético há mais de 75 anos, Washington e Riade estão agora entrando numa rota de colisão que também pode redefinir as suas relações diplomáticas e de segurança.

 

No mesmo dia da entrevista de Biden, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, adiantou que o Presidente vai “rever as relações bilaterais com a Arábia Saudita” e analisar se a aliança está  “servindo os nossos interesses de segurança nacional”.

 

Kirby afirmou ainda que Biden está  falando com as chefias Democratas no Congresso que querem que os Estados Unidos cortem as relações com o reino saudita, especialmente quando as intercalares de Novembro estão à porta e os preços dos combustíveis estão entre as principais preocupações dos eleitores.

 

O congressista Democrata Tom Malinowski também vai introduzir uma lei onde pede à Casa Branca que retire as tropas americanas e os seus sistemas de defesa contra mísseis da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.

 

Já o presidente do comité das relações internacionais do Senado, o Democrata Robert Menendez, vai mais longe e ameaça congelar as vendas de armas e cooperação no ramo da segurança com a Arábia Saudita, acusando o príncipe Mohammed bin Salman de “subscrever à guerra de Putin através do cartel da OPEP”.

 

“Não há espaço para se estar de ambos os lados neste conflito. Não vou dar luz verde a qualquer cooperação com Riade até o reino reavaliar a sua posição sobre a guerra na Ucrânia. Já chega“, afirmou Menendez.

 

De acordo com Bruce Riedel, especialista na Arábia Saudita e ex-analista da CIA, a postura da Casa Branca sinaliza uma “reversão dramática” nas relações diplomáticas com os velhos aliados sauditas.

 

“Chega de conversas com o príncipe, passamos a torná-lo outra vez uma pária. Acho que a pressão dentro do Partido Democrata é enorme. A administração terá de dar alguns passos, como por exemplo reduzir o número de forças americanas. Os medias, os círculos eleitorais que interessam aos Democratas estão a cobrando uma resposta“, prevê Riedel.

 

Por Adriana Peixoto,

Originalmente Publicado por: Planeta ZAP //

Editado e Revisado por Mike Nelson

 

 

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